Powered By Blogger

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Coragem!


Muitas pessoas comuns e ilustres disseram, às vezes de forma comum, às vezes de forma ilustre, que para viver é preciso coragem. Acho que eu não tinha entendido, até agora, o porquê, o como e, tampouco o quando e o quanto é preciso coragem.
Eu sempre achei que para desistir era necessário ter coragem, porque para continuar, bastava permanecer, já para desistir era preciso dar uma virada, um “basta!”, se rebelar. Eu errei em dois pontos, primeiro: apenas sobreviver não é viver. Não é necessário morrer para desistir da vida. Segundo: desistindo, ficará só uma memória póstuma, uma opinião alheia cheia de “coitadismo” ou crítica, e brevemente será nada mais do que uma lembrança remota de alguém que nada fez, nada quis.
Então, para que é preciso mais coragem? Para fazer e querer mesmo diante da imprevisibilidade dos fatos, ou para simplesmente aceitar o que vier, se tornar uma lembrança remota? Não digo com isso que só se vive quando se persegue e, eventualmente atinge, grandes feitos, é preciso se rebelar sim, mas não apenas uma única vez para dizer “cansei”, “desisti”, mas sim todos os dias para dizer “isso eu não vou aceitar”, para dizer “eu quero muito mais”, sonhar e perseguir, e seguir sempre não importa o que aconteça. Não é fácil. Ninguém disse que seria fácil, as derrotas não nos ensinariam tanto e as vitórias não teriam gosto nenhum se fosse.
Para acordar todo dia e seguir em frente é preciso coragem, para ter esperança nesse mundo injusto e egoísta é preciso coragem, para não ceder e conseguir, ainda que te tentem, ser solidário e justo é preciso coragem. Ao mundo inteiro eu desejo coragem!

“Coragem, coragem se o que você quer é aquilo que pensa e faz/ coragem, coragem eu sei que você pode mais.” (Por quem os sinos dobram – Raul Seixas)

segunda-feira, 13 de julho de 2009

O amor e a guerra.

No amor e na guerra vale tudo? Confesso que até dois dias atrás não tinha pensado na questão. Eu, particularmente, penso que a resposta seja não. Acho que nunca é válido desrespeitar o próximo, porque afinal que amor seria esse que desrespeita quem quer que seja? Afinal, amar não é uma forma de querer bem? O desrespeito não é o bem de ninguém no meu ponto de vista. E quando se desrespeita a outros que não o objeto desse amor, é válido? Quer dizer, esse amor é tão egoísta a ponto de passar por cima do próximo por si mesmo, por sua própria realização? E tem gente que cegamente diz que SIM, elas sabem afinal o que é o amor? Verdade que ninguém pode precisar o que é, mas se faz uma idéia, mesmo que abstrata, dos seus princípios. Muitas pessoas o confundem com dominação, com atração, e justificam suas ações em seu nome, quando cercam, aprisionam, e até quando traem, mas por maior que um amor seja ele não justifica ações que o contradizem.
Quanto a guerra, vale tudo? Parece que sim. Mas o que motiva uma guerra caros amigos, amor a pátria? Amor incondicional a uma causa? Um ideal? A história tem nos mostrado que essas são as “justificativas”. Libertar um povo de uma tirania e libertá-lo com a democracia! Nosso exemplo mais recente de uma justificativa, convenhamos, extremamente humanitária, lamentavelmente falsa, mais uma “máscara de bondade” usada pelo “forte e bondoso” para esmagar o “fraco” e acabar como “mocinho”,”herói”. Motivação econômica? Não! Motivação política? Não!
Logo, se uma guerra não tem como motivação amor a algo, com exceção a dinheiro e poder, que poderíamos muito bem substituir os termos “amor por...” por ganância e ambição, não me parece que nela, a guerra, exista algum valor/princípio que impeça algum tipo de comportamento/ação. Na ganância e na ambição há limites? Pois na guerra também não.
Não entendo por que relacionar uma coisa com outra na pergunta: "No amor e na guerra vale tudo?", se afinal onde há amor não há guerra.

Estão livres pra discordar obviamente, se for o caso, comentem, se não podem comentar também, ou não, se não quiserem.

sábado, 13 de junho de 2009

Pré Conceituando

Preconceito. Tema polêmico com certeza, no entanto não busco mais unanimidade ou concordância, acho que o problema está justamente aí, porque necessariamente todos temos que concordar? Por que temos que ser tão extremistas ou invés de aceitar o meio termo, e assim ceder um pouco ao outro extremo, como ele da mesma forma fará? Por que, se estivermos convictos de que estamos certos, julgamos como errados aos que discordam?
Julgamos aos outros sem ao menos saber de quem estamos falando! Julgamos pelo estereótipo que vemos, ou pensamos que vemos baseado naquilo que acreditamos. Ainda que conhecêssemos bem a pessoa, que difícil seria “julgá-la”, “classificá-la”, e que desnecessário seria... Como sabemos quem é a pessoa? Como saberemos se não nos dermos a oportunidade? Ficamos barrados pelo “pré-conceito” que fizemos, e não nos damos a oportunidade de conhecer o novo, o diferente, de aprendermos, e principalmente de mudarmos com o que aprendemos, de “relativizarmos” nossos ideais e crenças, de nos desapegarmos do nosso mundinho individual, e muitas vezes superficial, que cremos ser piamente o certo e podermos ver o mundo de outro ângulo, enxergar como o outro vê, para quem sabe assim entendermos o porquê de discordarmos, para quem sabe sermos mais tolerantes e/ou compreensivos com a diferença ao invés de impor nossa verdade. Para, quem sabe, conseguirmos um dia pararmos de disputar certeza uns com os outros e lutarmos todos pelo todo.
Não vamos pensar aqui, que preconceito é coisa apenas da “burguesia conservadora” contra as “minorias”, o preconceito está em todos, inclusive nos mais “liberais rebeldes”, está em todos que não aceitam a opinião, o pensamento, as atitudes diferentes das suas, e nem mesmo se dão ao trabalho de tentar entender, está em todos aqueles que tem um conceito formado sem o menor conhecimento daquilo que estão conceituando, ou que apenas generalizam e julgam um indivíduo pelo grupo.
É óbvio que é bem mais fácil criticar isso tudo do que por em ação, eu sei, não sou uma pessoa totalmente liberta de preconceitos, mas tento, e tenho tentado cada vez mais conhecer a pessoa pelo que ela me mostra ser, não pelo que eu imagino (ou conceituo) que seja. Não peço que concordem comigo, apenas que entendam a minha forma de ver essa situação.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Ser a contradição.


Tenho me sentido velha diante dos adolescentes que ontem eram as crianças que brincavam logo ali. A diferença entre eu e eles parece cada vez menor, parece apenas uma questão experiência e maturidade, não que todos eles ao chegarem aos dezoito tenham a mesma maturidade que eu tenho hoje, isso é muito relativo. O mais fascinante de tudo isso é que, embora as gerações sejam diferentes, desde o princípio dos tempos nós somos iguais, a adolescência desde os tempos em que “não existia” até os dias atuais tem as mesmas características. É incrível que, após séculos de existência as únicas coisas que têm evoluído sejam a tecnologia que nos rodeia e a nossa ambição, com relação ao comportamento só passamos a assumir o que sempre fizemos, ainda que, às vezes, hipocritamente escandalizados.
Evidentemente, assim como a TPM, depois que foi “descoberta” a adolescência foi assumida com vontade pelos jovens e foi aceita com cada vez mais passividade pelos pais e outras autoridades, a adolescência surgiu para alguns como justificativa, assim como a TPM justifica crimes, não que eu desacredite algum deles. A adolescência é uma fase real, em que até a queda de um alfinete é intensa, tudo é muito forte quando a gente é tudo e nada ao mesmo tempo, porque afinal não somos nem adulto nem criança, mas somos ao mesmo tempo criança e adulto. É mais do que natural que hajam conflitos numa situação dessas, na grande maioria das vezes conflitos internos, conflitos em que queremos saber quem somos, em que sentimos a necessidade de nos descobrir, saber como somos; questionamos o funcionamento do sistema; nos revoltamos com facilidade; mas quase sempre exteriorizamos conflitos que são internos. E o que mudou? Os adolescentes dos anos 90 não faziam isso? E os dos anos 80, 70, 60...? Talvez tenhamos mudado a forma, a intensidade, a direção dos nossos conflitos, mas continuamos igualzinhos, inconformados. Hoje em dia menos reprimidos, eu até diria nada reprimidos, meio sem freios, sem uma direção pra essa inconformidade toda, sem ideais. Apenas revoltados com o nosso mundinho, é tudo cada vez mais uma questão individual, hoje em que vivemos em uma sociedade global, é quando nos preocupamos exclusivamente conosco. Uma contradição, combina com o tema, que é ser a contradição.
“Quando o que eu mais queria era provar pra todo mundo que eu não precisava provar nada pra ninguém” (Legião Urbana)