Muitas pessoas comuns e ilustres disseram, às vezes de forma comum, às vezes de forma ilustre, que para viver é preciso coragem. Acho que eu não tinha entendido, até agora, o porquê, o como e, tampouco o quando e o quanto é preciso coragem.
Eu sempre achei que para desistir era necessário ter coragem, porque para continuar, bastava permanecer, já para desistir era preciso dar uma virada, um “basta!”, se rebelar. Eu errei em dois pontos, primeiro: apenas sobreviver não é viver. Não é necessário morrer para desistir da vida. Segundo: desistindo, ficará só uma memória póstuma, uma opinião alheia cheia de “coitadismo” ou crítica, e brevemente será nada mais do que uma lembrança remota de alguém que nada fez, nada quis.
Então, para que é preciso mais coragem? Para fazer e querer mesmo diante da imprevisibilidade dos fatos, ou para simplesmente aceitar o que vier, se tornar uma lembrança remota? Não digo com isso que só se vive quando se persegue e, eventualmente atinge, grandes feitos, é preciso se rebelar sim, mas não apenas uma única vez para dizer “cansei”, “desisti”, mas sim todos os dias para dizer “isso eu não vou aceitar”, para dizer “eu quero muito mais”, sonhar e perseguir, e seguir sempre não importa o que aconteça. Não é fácil. Ninguém disse que seria fácil, as derrotas não nos ensinariam tanto e as vitórias não teriam gosto nenhum se fosse.
Para acordar todo dia e seguir em frente é preciso coragem, para ter esperança nesse mundo injusto e egoísta é preciso coragem, para não ceder e conseguir, ainda que te tentem, ser solidário e justo é preciso coragem. Ao mundo inteiro eu desejo coragem!
“Coragem, coragem se o que você quer é aquilo que pensa e faz/ coragem, coragem eu sei que você pode mais.” (Por quem os sinos dobram – Raul Seixas)
